INFORMATIVO DAVID LOPES MACEDO

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domingo, 11 de dezembro de 2016

Intolerância religiosa: Explosão em igreja copta deixa 23 mortos no Egito


Ao menos 23 pessoas morreram e 49 ficaram feridas neste domingo em um atentado contra uma igreja copta ortodoxa no Cairo, no pior ataque contra esta minoria religiosa na história recente do país.
Um balanço anterior das autoridades tinha avaliado para 25 o número de mortos, depois revisto para baixo.
"Estava saindo da igreja quando ouvi uma enorme explosão. Havia muita fumaça e as pessoas começaram a correr e a gritar. As ambulâncias começaram a chegar e tiravam pedaços de corpos. O chão estava coberto de sangue", contou à AFP uma testemunha, Jackeline Abdel Shahid.
A explosão aconreceu por volta das 10h00 locais (06h00 de Brasília) no bairro de Abbasiya, na igreja adjacente à catedral copta de São Marcos, sede do papa da igreja copta Tawadros II, segundo o ministério da Saúde.
Fontes de segurança explicaram que a bomba, que explodiu na sala principal do templo, continua 12 quilos de TNT.
No interior da igreja, horas depois do atentado, reinava um odor intenso de sangue, constatou o jornalista da AFP. Espalhados no chão cacos dos vitrais destruídos junto a sapatos e outros objetos pessoais dos fiéis.
A polícia estabeleceu um perímetro de segurança, enquanto que uma pequena multidão gritava condenando o ataque e pedindo a demissão do ministro do Interior.
Gebrail Ebeid, que se preparava para entrar na igreja quanado a bomba explodiu, se questionava com raiva: "Como é possível que isto ocorra? Onde estavam as forças de segurança? Agora ocupam toda a rua, mas é tarde demais".
"Um alvo fácil"
Até agora, nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque. As autoridades vão examinar o conteúdo das câmeras de segurança da Igreja, explicaram oficiais da Polícia.
Este templo "é profundamente amado por muitos fiéis coptas no Cairo, que vão habitualmente às missas", explicou à AFP o bispo Angaelos, bispo geral da igreja copta na Grã-Bretanha.
Segundo Angaelos, os cultos deste domingo foram celebrados nesta igreja devido aos trabalhos de restauração na catedral.
O templo "é um alvo fácil porque a entrada se encontra no exterior do perímetro da catedral e não está protegida", afirmou o bispo.
Por sua parte, o papa Tawadros II interrompeu sua visita à Grécia para voltar à capital egípcia em função da tragédia.
Em um comunicado postado no Facebook, a Igreja copta pediu a "unidade nacional que une os egípcios na terra abençoada do Egito".
O presidente egípcio Abdel Fatah al Sissi condenou o ataque, que classificou de "covarde", e declarou três dias de luto nacional.
"O atentado é dirigido contra a nação com seus cristãos e seus muçulmanos. O Egito sairá mais unido", assegurou.
O primeiro-ministro egípcio, Sherif Ismail, reagiu em um comunicado: "Os muçulmanos e os cristãos da nação se solidarizam contra este ato de terrorismo".
O ímã da Al Azhar, a mais alta instituição do islã sunita no Egito, também condenou o ataque, denunciando o terrorismo dirigido "contra almas inocentes".
Os coptas ortodoxos do Egito formam a minoria cristã mais numerosa do Oriente Médio e uma das mais antigas.
Em 1o. de janeiro de 2011, um atentado não reivindicado deixou 23 mortos e cerca de 80 feridos, a maioria cristãos, na saída de uma igreja copta após a missa do Ano Novo em Alexandria, segunda cidade do país.
Em 8 de março desse ano, 13 pessoas foram assassinadas em enfrentamentos entre muçulmanos e coptas no bairro pobre de Moqatan, no Cairo, onde centenas de cristãos haviam se concentrado para protestar contra o incêndio de uma igreja no sul da capital.
Dois meses mais tarde, novos confrontos interreligiosos deixaram 12 mortos coptas e mais de 200 feridos em um bairro do Cairo, onde uma igreja foi atacada e outra incendiada.
Os coptas, pouco representados no Governo, se consideram discriminados pela administração pública de um modo geral. Eles representam a grande maioria da comunidade cristã do Egito, na qual também há católicos.
O fortalecimento de um Islã rigoroso agrava o sentimento de marginalização, principalmente desde a queda do presidente Hosni Mubarak, em 2011, que se traduziu por uma degradação do clima de segurança e uma presença maior dos islamitas.

FONTE: YAHOO NOTICIAS

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